Entrevista Exclusiva Sofascore: Raphinha, Parte 1

Raphinha viveu todos os tons do futebol moderno. Desde a luta pela sobrevivência na Premier League até noites decisivas em Barcelona e a emoção de marcar pela seleção brasileira, cada capítulo moldou o jogador que ele é hoje. Nesta entrevista exclusiva ao Sofascore, ele fala abertamente sobre expectativas para a Copa do Mundo, trabalhar com Ancelotti, seus objetivos pessoais para 2026 e os marcos emocionais que definiram sua trajetória. Esta conversa vai além de resultados e placares. Ela revela a mentalidade, a personalidade e o fogo competitivo por trás de um dos jogadores brasileiros mais influentes de sua geração.
SOFASCORE:
Bom, pessoal, estamos aqui com o Raphinha, ao vivo do centro de treinamento do Barcelona. Raphinha, seja bem-vindo. Obrigado por falar com a gente. Você está feliz? Está preparado?
RAPHINHA:
Obrigado, agradeço o convite. Estou preparado.
SOFASCORE:
Para começar, como um aquecimento, eu queria que você falasse um pouco sobre a sua temporada atual. Você acabou se machucando, mas está de volta agora. Como está o seu momento no Barcelona?
RAPHINHA:
Eu prefiro dizer que a minha temporada começa depois da minha lesão. Teve alguns jogos antes, mas foram jogos em que eu ainda estava tendo dificuldades por algum motivo. Logo depois disso, tive a lesão e recaídas da lesão. Então eu prefiro apontar que a minha temporada mesmo está começando agora.
>> Raphinha em entrevista exclusiva: “Com a temporada que fiz, eu deveria ter ganhado a Bola de Ouro”
Tornando-se Capitão do Barcelona
SOFASCORE:
Você é um dos capitães deste elenco do Barcelona. A gente sempre vê você como uma figura muito presente, muito respeitada. Como é para você usar a braçadeira de capitão do Barça?
RAPHINHA:
Eu me sinto muito honrado por poder usar a braçadeira de capitão.
Obviamente, é algo que eu conquistei desde o dia em que cheguei, por causa da maneira como eu sou, a pessoa que eu sou no vestiário e dentro de campo.

RAPHINHA:
Mas é algo natural. Eu tento ajudar meus companheiros o máximo possível, tento ajudá-los a render no melhor nível. Então eu acho que não é algo forçado — é muito natural. No fim, isso me recompensou sendo um dos capitães do time e, em várias ocasiões, podendo usar a braçadeira.
Recebendo Dois Troféus do Sofascore
SOFASCORE:
Bom, pessoal, este é um momento pelo qual eu estava esperando. Na temporada passada, o Raphinha foi uma máquina. Ele ganhou dois troféus do Sofascore. Melhor jogador de La Liga com um Sofascore Rating de 7.80, e melhor jogador da Champions League com um Sofascore Rating de 8.24. Nós vamos entregar o troféu para ele agora.
Cara, você sabe que conseguir uma nota alta no Sofascore é difícil, né?
RAPHINHA:
Sim, eu percebi isso nesta temporada.
SOFASCORE:
Então, como é para você receber dois troféus do Sofascore?
RAPHINHA:
Cara, é muito legal. Como você disse, é uma plataforma que é muito exigente com os jogadores e com as notas. Então poder receber esses troféus — tanto de melhor jogador da Liga quanto de melhor jogador da Champions League — é muito legal.

RAPHINHA:
Porque significa que, de alguma forma, eu consegui entregar o que o Sofascore esperava de mim.
Então eu estou muito feliz e agradecido.
Pensando na Vida Após o Futebol
SOFASCORE:
Agora, desviando um pouquinho do assunto… Eu sei que você ainda é muito jovem para pensar no que vai fazer depois, mas você já pensou em seguir no futebol como dirigente, treinador? Isso passa pela sua cabeça?
RAPHINHA:
Passa — mas ser treinador? Jamais.
SOFASCORE:
Por quê?
RAPHINHA:
Porque ser treinador, para nós jogadores, já é algo muito exigente. Chegar cedo ao clube, sair tarde, ficar em hotel no dia antes dos jogos. Muitas vezes voltamos para casa um dia depois, dependendo dos aeroportos. A gente quase não fica em casa. Para mim, isso já é complicado.
E ser treinador… você tem que estar lá antes dos jogadores, sair depois dos jogadores, preparar treinos, preparar para os jogos. Praticamente toda a sua vida é trabalho. E eu acho que isso não é justo com a sua família e com seus amigos. Tem que haver um meio-termo, e a vida de treinador é muito exigente.
Tem pessoas que gostam — eu não julgo — mas, pessoalmente, não é algo que passa pela minha cabeça.
SOFASCORE:
Estar envolvido com o futebol de outra forma, talvez?
RAPHINHA:
Sim, quem sabe? Talvez como dirigente, assessor… não sei. Não faço ideia.
SOFASCORE:
Não passou pela sua cabeça até hoje?
RAPHINHA:
Passa pela minha cabeça, obviamente. Mas nada concreto. É algo distante. Eu tento pensar em alguma coisa, mas ser treinador… se algum dia fosse uma opção, seria a última.
Relação com Hansi Flick
SOFASCORE:
Certo. Você mencionou esquecer a ideia de ser treinador por causa da rotina pesada. Recentemente, nós vimos um vídeo que chamou bastante atenção — o Hansi Flick emocionado, talvez chorando. Você estava lá conversando com ele, acalmando ele. O que aconteceu ali? Como é a sua relação com o Flick?
RAPHINHA:
Bom, em quase todas as entrevistas quando me perguntam sobre ele, eu digo que ele foi quem praticamente fez eu ter a melhor temporada da minha carreira. Ele me fez competir por prêmios individuais. Ele me fez entender de novo o meu lugar no futebol, me entender como pessoa.
Muito do que aconteceu na temporada passada, e do que está acontecendo agora, é graças a ele — ele acreditou em mim quando eu acho que ninguém mais acreditava, nem eu mesmo.
Então eu só posso agradecer a ele por tudo o que me aconteceu, tudo o que está acontecendo. Eu só posso ser grato.
Sobre aquela cena… eu acho que ele estava chateado com o assistente dele, que foi expulso. Foram dois cartões vermelhos no nosso banco. Ele ficou chateado.

RAPHINHA:
Depois ele disse que também estava chateado com o desempenho da equipe. Eu tentei acalmar ele, dizendo que a gente ia voltar, que estávamos nos reconectando de novo, e que o mais importante naquele momento era a vitória do time — que nós conseguimos.
E eu acho que estamos nos reconectando mais uma vez.
SOFASCORE:
É muito legal essa proximidade que você tem com ele. Dá para ver que ele respeita você, o carinho, e você acaba sendo um elo entre treinador, comissão e jogadores. Você percebe o quanto isso é incrível?
RAPHINHA:
Não. Eu não faço ideia.
Como eu te disse no começo, é natural. Não é forçado. É uma relação que foi se desenvolvendo com o tempo — um carinho mútuo dos dois lados.
É uma confiança que estamos construindo, uma liberdade que criamos. Ele se sente à vontade para falar comigo sobre qualquer coisa, e ele também me faz sentir à vontade para falar com ele sobre qualquer coisa.
Essa confiança é o mais importante para que a gente trabalhe da melhor maneira possível.
Relembrando a Última Temporada
SOFASCORE:
A gente ainda não falou sobre isso — que avaliação você faz da última temporada? A temporada que te deu dois troféus do Sofascore, levou o Barça para a semifinal da Champions League e foi incrível para você. Você sentiu que poderia ter chegado à final?
RAPHINHA:
Sim, esse sentimento existia. Eu acho que a gente tinha um pé na final desde o momento em que fizemos o terceiro gol.
Infelizmente, não tivemos maturidade suficiente para fazer o que equipes mais experientes fazem. Depois do terceiro gol, o jogo deveria ter acabado — defender, não tomar gol. Naquele momento, a gente tinha um pé na final.
Eu acho que a gente se deixou levar pelo jogo, ele ficou mais aberto, não soubemos controlar, e acabamos sofrendo o empate. Jogando no estádio deles, com o resultado virando a favor deles, com a torcida deles… é muito complicado.
SOFASCORE:
E qual é a sua avaliação da temporada do Barça e da sua, tirando a semifinal?
RAPHINHA:
Tirando a semifinal, que nos afetou, eu acho que foi praticamente uma temporada impecável da equipe. Não é à toa que ganhamos todos os títulos nacionais.

RAPHINHA:
Na minha opinião, nós fizemos uma temporada absurda, com números absurdos. Fica aquele sentimento de que faltou alguma coisa, algo que estava nas nossas mãos. Mas, no geral, foi uma temporada de excelência muito alta.
Mantendo o Nível do Barça em Alta
SOFASCORE:
Como vocês mantêm essa química? Porque vocês ganham, o time ganha, títulos incríveis… e aí manter esse nível na temporada seguinte é difícil. Qual é o segredo?
RAPHINHA:
Ter muitos jogadores novos é muito importante. Eles querem escrever o nome deles na história do clube, ganhar títulos, ganhar a Champions League. Esses são os objetivos deles.
Escrever história, ser lembrado, ser um exemplo.
O fato de ter muita gente nova ajuda muito. Eles veem o que conquistamos no ano passado, o quão bonito foi — o apoio, as comemorações, a cidade parando por nós.
Esse sentimento de “na próxima temporada a gente pode fazer mais” é importante.
Sobre Sua Lesão
SOFASCORE:
Você mencionou a sua lesão, que se sentiu um pouco culpado porque talvez tenha antecipado a sua volta. Explica para a gente o que foi essa lesão. Agora está tudo certo?
RAPHINHA:
A minha lesão foi muito pequena. Tão pequena que eu me lesionei no jogo e no dia seguinte eu não estava sentindo nada — mas a lesão ainda estava lá.
Três ou quatro dias depois eu já estava no gramado trabalhando com bola — trabalho controlado, mas já fazendo mudanças de direção.
Como eu estava me sentindo bem, achei que podia forçar um pouco mais. E é aí que uma lesão pequena te engana. É exatamente o momento em que ela está cicatrizando. Se você faz mais do que deveria, você quebra o processo de cicatrização, reabre o machucado e aí volta para a estaca zero — como se a lesão tivesse começado do zero.
Isso aconteceu comigo duas vezes. Naquela primeira semana, quando eu achava que estava tudo bem e não estava. E depois de novo na semana do El Clásico, quando eu queria forçar, provar para mim mesmo que eu podia jogar. Mas acabei provando o contrário. Antecipei mais do que precisava e aconteceu de novo, então fiquei fora por mais três semanas.
SOFASCORE:
Mas agora está tudo bem?
RAPHINHA:
Agora estou bem.
SOFASCORE:
Você voltou ao normal?
RAPHINHA:
Estou bem. Estou bem! Não voltei ao normal, mas estou bem.
Medo de Recaídas e a Copa do Mundo no Horizonte
SOFASCORE:
Certo, porque a gente começa a pensar — a Copa do Mundo está chegando. A gente acabou de ver o Militão se machucar e talvez só volte em abril. Eu imagino que, me colocando no seu lugar, eu também teria medo de me machucar.
Obviamente existe o compromisso com o clube, vocês são profissionais, mas a Copa do Mundo tem um peso enorme na carreira de qualquer jogador. Isso passa pela sua cabeça?

RAPHINHA:
Não tem como isso não passar pela cabeça. No ano passado, no último ciclo, eu lembro que o Coutinho fez praticamente todo o ciclo com a gente. E ele teve uma lesão no final da temporada — eu não lembro se ele já estava no Brasil. Acho que não.
Então foi talvez no meio da temporada para ele. E ele teve uma lesão pré-Copa que impediu ele de estar na Copa do Mundo.
Então, é normal para nós, com a Copa na cabeça, pensarmos no que pode acontecer ou não.
Mas precisamos estar preparados fisicamente. Da melhor maneira possível. Temos que nos preparar, nos cuidar ao máximo.
Não que a gente já não fizesse isso — eu, pessoalmente, me cuido muito. Eu praticamente vivo na recuperação. Mas tem coisas que você não consegue controlar. Às vezes o corpo exige demais; tem desgaste físico, desgaste mental, e acontecem algumas lesões que você simplesmente não consegue evitar, mesmo quando você se cuida mais do que o suficiente.
Aconteceu comigo mesmo assim. Então é algo que você não controla. Você só consegue tentar minimizar riscos. Mas controlar 100% se vai acontecer ou não… isso foge do seu controle.
O que você consegue controlar é a recuperação, treinar bem, estar preparado fisicamente e mentalmente. E eu acho que todos os jogadores vão fazer isso, não só por causa da Copa, mas porque querem estar jogando sempre.
Mas sim — é normal isso passar pela cabeça, e normal querer estar em perfeitas condições para desempenhar bem na Copa do Mundo.
Três Principais Coisas que Todo Jogador Profissional Deve Priorizar
SOFASCORE:
Se você tivesse que escolher as três principais coisas que um jogador profissional precisa fazer para estar sempre bem, o que você escolheria? Sono? Nutrição? Coisas que mudam tudo se você não seguir à risca?
RAPHINHA:
Trabalho — ética de trabalho é o mais importante. Recuperação.
Recuperação no sentido amplo: sono, nutrição, fisioterapia. E força mental.
Eu acho que esses são os três pontos principais. Pode ser que existam outros que eu esteja esquecendo, mas esses três são muito importantes.
Jogar pela Seleção e se Preparar para uma Segunda Copa do Mundo
SOFASCORE:
Como é agora, pensando que a Copa do Mundo está se aproximando? Na minha opinião, você já é um dos nomes na cabeça do Ancelotti. Como é jogar pela seleção brasileira e, de repente, pensar em disputar outra Copa?
RAPHINHA:
Cara, é… é bem louco.
Antes de eu ser convocado pela primeira vez para a seleção, eu nunca imaginei que seria convocado. Eu nunca imaginei vestir a camisa da seleção. Querer eu queria? Eu queria muito. Mas eu não me via lá.
Eu não via as circunstâncias a meu favor. E aí aconteceu — resultado de muitos anos de trabalho. Acabei indo para a Copa.
Poder disputar uma segunda Copa do Mundo também é louco. Porque, ok, você foi para a primeira. Mas chegar na próxima exige mais quatro anos de consistência absurda. Você tem que estar no seu melhor nível dentro e fora de campo.
Você tem que se manter bem fisicamente, entregar bom trabalho, continuar sendo convocado, e aí estar na próxima Copa.
Então passar por todo esse ciclo de novo — com muitos prós e contras — é muito legal. É gratificante, porque eu entreguei tudo o que podia nesses quatro anos.
Obviamente ainda faltam cerca de seis meses, e eu ainda tenho que entregar o meu melhor para estar lá.
Mas saber que eu fiz parte de quase todo o ciclo de novo, com três ou quatro treinadores diferentes, mostra que algo está sendo feito muito bem individualmente.
E que eu contribuo com algo para a seleção para permanecer lá durante todo o ciclo.

O Grupo do Brasil na Copa do Mundo: Respeito e Realismo
SOFASCORE:
Rapha, o que você achou do grupo do Brasil? Marrocos, Haiti e Escócia. O que você achou?
RAPHINHA:
Ontem alguém me perguntou a mesma coisa.
Quando saiu o Marrocos, eu confesso que fiquei… bom, muitas pessoas acham que o futebol de hoje é como era há 15 anos — quando muitas vezes você entrava em campo e só a camisa ganhava o jogo.
Hoje o futebol é muito diferente.
Muitos jogadores jogam em alto nível, em grandes clubes, mesmo aqueles de seleções que não têm um nome tão forte.
Mas o nome engana o torcedor. As pessoas falam “o Brasil vai jogar contra o Haiti” e acham que vai ser fácil. Algo garantido. E não é.
Eles se classificaram para a Copa — eles merecem estar lá.
Eu prefiro encarar cada jogo como o mais difícil. Marrocos é o mais difícil. Depois Haiti, o mais difícil. E assim por diante. Isso mantém a concentração alta.
SOFASCORE:
Então você acha que é um grupo justo? Nada de grupo da morte?
RAPHINHA:
Eu não acho que exista grupo da morte. Alguns grupos são mais difíceis, sim, mas todos são equilibrados de alguma maneira.
E agora com mais seleções se classificando — as duas primeiras e as oito melhores terceiras colocadas — cria mais oportunidades. Tem até uma fase antes das oitavas.
Então acaba ficando mais fácil.
SOFASCORE:
Mas você gostou do grupo do Brasil? Está ok?
RAPHINHA:
Eu gostei. Gostei.
E Marrocos foi semifinalista da última Copa — uma sensação, uma geração absurda.
As pessoas dizem “o dia em que o Brasil tiver medo de Marrocos, desiste.” Mas não é medo — é respeito.
A gente tem que respeitar todas as seleções, mas também saber do nosso potencial.
Se estivermos realmente focados, trabalhando juntos, nossas chances de ganhar de qualquer seleção são muito maiores.
Mas se acharmos que é só entrar em campo e ganhar por causa da camisa… não vamos.
Favoritos da Copa do Mundo
SOFASCORE:
Eu não vou perguntar sobre o Brasil. Quais seleções você acha que são favoritas para ganhar a Copa do Mundo?
RAPHINHA:
França. Argentina. Espanha. Até a Inglaterra está indo muito bem.
Tem muitas seleções que são favoritas.
Mas a Copa do Mundo é curta. A seleção que estiver melhor preparada — não ao longo do torneio inteiro, mas nos dias dos jogos — avança.
Você pode jogar bem por semanas, mas se estiver mal no dia decisivo, está fora.
Então não importa se você foi ótimo antes. Se você falhar no dia-chave, você não avança.
Amistosos Contra a Croácia e a França
SOFASCORE:
Em março teremos os últimos amistosos — Croácia e França. Bons testes mesmo sendo amistosos?
RAPHINHA:
Sim. A gente vem fazendo bons testes. Jogando contra seleções que estarão na Copa do Mundo.
Esses jogos vão mostrar o nosso nível, e o que ainda precisamos melhorar para chegar na melhor forma possível.
SOFASCORE:
Como você imagina esses jogos?
RAPHINHA:
Serão bons jogos. Assim como nós respeitamos todas as seleções, eu acredito que todas as seleções respeitam o Brasil também — o que é importante.

Trabalhar com Ancelotti e Metas para 2026
SOFASCORE:
Como é trabalhar com o Ancelotti? Por que ele é diferente?
RAPHINHA:
Ele me surpreendeu muito, de forma positiva. Eu não tinha tido muito contato com ele antes. Mas quando a gente conversava, ele sempre me parecia um cara muito gente boa.
Na seleção, o jeito que ele trabalha, o jeito que a comissão trabalha, a proximidade dele com os jogadores — é parecido com o Flick.
Após a chegada dele, nós começamos a nos reconectar de novo. A gente vem jogando bem. Eu acho que podemos crescer ainda mais.
SOFASCORE:
Para encerrar essa parte das perguntas… se você pudesse fazer uma lista de metas para 2026, quais seriam?
RAPHINHA:
Para o ano que vem?
Ganhar a Supercopa.
Ganhar novamente os três títulos nacionais — Supercopa, Copa do Rei, La Liga.
Ganhar a Champions League.
Ganhar a Copa do Mundo.
Esse é o ano perfeito.
SOFASCORE:
Você vai trabalhar com essas metas?
RAPHINHA:
Tem que trabalhar. Jogando pelo Barcelona e, na minha opinião, pela maior seleção do mundo — seus objetivos precisam ser esses.
Se o seu objetivo principal é apenas “participar e ver o que acontece”, você está no lugar errado.
Na minha visão, os objetivos pessoais e coletivos têm que ser ganhar todos os títulos possíveis.
SOFASCORE:
Boa, gostei. Vocês gostaram das metas do Raphael? Deixem aí nos comentários.

Esnobado no Ballon d’Or
SOFASCORE:
A sua temporada foi absurda — unânime. Mas no Ballon d’Or, você não ficou nem no top 3. Como foi isso para você?
RAPHINHA:
Eu fiquei chateado. Eu esperava mais. Eu esperava estar pelo menos no top 3.
Eu sabia que ganhar seria difícil porque a Champions League pesa muito.
Então eu fiquei chateado com a posição em que terminei.
Mas eu entendo que envolve muitas coisas que não posso controlar. Muitas coisas que é complicado continuar enfatizando.
O que eu posso dizer é que estou muito satisfeito com a temporada que tive — e nenhum prêmio individual vai apagar o que eu fiz na temporada passada.
SOFASCORE:
E qual seria o seu top 3? Se você pudesse escolher naquele momento — a temporada terminou — qual seria o seu top 3 do Ballon d’Or? Você se colocaria em terceiro, certo?
RAPHINHA:
Eu, pessoalmente, me colocaria em primeiro.
SOFASCORE:
Primeiro?
RAPHINHA:
Eu me colocaria em primeiro lugar! Para de fazer esse barulhinho! Se fosse… no meu entendimento… é um tique.
No meu entendimento, um prêmio individual não pode ser baseado em uma única competição.
Com base nisso, eu acho que merecia ser o primeiro pelo que entreguei durante a temporada, pelos títulos que ganhei, pelos números que alcancei e por tudo o que contribuí dentro de campo. Eu acho que merecia ganhar.
Como é um prêmio que é praticamente baseado em uma única competição, o Dembélé mereceu ganhar, até porque também fez uma temporada espetacular. O Lamine também fez uma temporada espetacular.
Mas, na minha visão, se fosse algo baseado na temporada em si, eu acho que merecia ganhar o prêmio.
SOFASCORE:
Bom, tudo bem. Esse é o top 3 do Raphinha. Seria você… segundo… quem viria depois?
RAPHINHA:
Ah, eu vou puxar para o meu time. Eu colocaria o Lamine e o Pedri.
SOFASCORE:
Certo. O Pedri também em terceiro? Então o Dembélé é o quarto, né?
RAPHINHA:
Quarto. Certo, beleza. Justo.

Avaliando a Si Mesmo com os Atributos do Sofascore
SOFASCORE:
Bom, agora o Rapha vai se avaliar. Pegamos as mesmas pontuações do Sofascore — de 3 a 10 — em vários atributos. Então está ali no tablet com ele, e ele vai começar a se avaliar.
Começando com velocidade. Três é muito ruim, três é terrível. 10 é o melhor.
Você vai falando e comentando. Então, vamos lá. Começa.
Velocidade
RAPHINHA:
Velocidade… eu… deixa eu ver. Eu sou rápido, mas tem pessoas mais rápidas. Eu não sou tão rápido quanto elas.
Eu daria 9.1.
SOFASCORE:
Uau, loucura. Bom. Uau, rápido. Fala um pouco desse atributo de velocidade.
RAPHINHA:
Eu acho que é um dos meus pontos fortes, a velocidade.
Obviamente hoje eu não sou tão rápido quanto há três anos, mas—
SOFASCORE:
Como se você fosse velho, né?
RAPHINHA:
Não, mas eu estou mais lento.
SOFASCORE:
Você sente isso?
RAPHINHA:
Eu sinto, eu sinto. Mas ainda assim…
SOFASCORE:
Então antes, você se daria 10? Para velocidade?
RAPHINHA:
Ah, no meu… no meu… no meu auge, tipo—
SOFASCORE:
Amigo, você ainda está no auge!
RAPHINHA:
Não, no meu auge de velocidade. Eu colocaria, sei lá… 9.9, talvez.
Mas hoje eu colocaria 9.1, porque… ah, eu sou meio rápido.
Fôlego
SOFASCORE:
Justo. Vamos lá. Próximo — fôlego.
RAPHINHA:
Fôlego… 9.
SOFASCORE:
Nove?
RAPHINHA:
Sim. Porque fisicamente eu acho… eu tento me cuidar ao máximo, para estar o mais bem preparado possível para o jogo.
Então eu sempre tento manter o nível mais alto possível de condicionamento físico. Eu daria 9.
SOFASCORE:
É, no jogo contra o Frankfurt — que foi ontem, inclusive — eu vejo você correndo o campo todo. Cara, você dá um pique, depois está dando outro. Como você aguenta?
RAPHINHA:
É… às vezes eu não aguento. Tipo agora, voltando de lesão.
SOFASCORE:
A tela chega a ficar preta às vezes? Do tipo uau.
RAPHINHA:
Dependendo da quantidade, em pouco tempo dá umas tonturas bem loucas.
Mas faz parte. Daqui a pouco passa.
Técnica
SOFASCORE:
Boa. Vai. Técnica.
RAPHINHA:
Técnica… eu daria 8.6.
SOFASCORE:
Comenta isso. Justifica sua resposta.
RAPHINHA:
Eu não posso me dar 3 em técnica. Aí seria muito pesado.
SOFASCORE:
Não, pera aí. A gente está falando do mínimo e de uma nota justa—
RAPHINHA:
8.7.
Hoje em dia eu acho que sou muito mais técnico do que, por exemplo, um jogador que busca situações de 1 contra 1.
Por exemplo, três anos atrás, ou quando eu estava no Leeds, eu era um jogador que buscava muito mais o 1 contra 1.
Porém, tecnicamente, eu acho que faltava muito.
Hoje em dia, eu me vejo mais como um jogador técnico do que há alguns anos.
Então, eu daria 8.7.
Função Tática e Posicionamento
SOFASCORE:
E como você trabalhou isso?
RAPHINHA:
Por causa da velocidade também. E por causa do posicionamento em campo.
Hoje em dia eu jogo em uma posição mais compacta, que exige um pouco mais de velocidade para pensar e encontrar alguns passes que, talvez, jogando aberto, você não precisasse de tanta velocidade para pensar — embora ainda precise de muita velocidade.
Mas eu acho que esse aspecto muda um pouco.
SOFASCORE:
E você fica trocando com o Yamal também. Vocês sinalizam quando precisam trocar?
RAPHINHA:
Eu, pessoalmente, vejo muito onde há espaços no campo.
Por exemplo, quando eu vejo que um jogador saiu da posição dele, eu tento cobrir aquela posição que está faltando.
Às vezes eu vejo que ele se posiciona por dentro — não sei, porque ele carregou a bola e ficou ali — eu me posiciono no lugar dele para sempre termos as posições ocupadas.
Visão
SOFASCORE:
Boa. Segue. Próximo — visão.
RAPHINHA:
Visão de jogo… 8.7 também.
SOFASCORE:
O Raphinha está zerando a vida aqui no Sofascore, porque agora ele pode dar a nota que ele quiser. Ele está nas nuvens.
RAPHINHA:
8.7, obviamente… Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Uma coisa é ter visão de jogo e conseguir enxergar bem o jogo e enxergar bons passes.
Outra coisa é conseguir executar esse passe perfeitamente.
Eu posso ter uma visão espetacular, ver alguma coisa, e aí estragar tudo — com o passe indo longe demais ou curto demais. E é isso.
O pessoal do Sofascore tira ponto meu, e muito obrigado por isso. É isso.
SOFASCORE:
Vai ter passe aqui ainda.
RAPHINHA:
Isso não é legal.

Passe Longo e Trabalho Defensivo
SOFASCORE:
Então, calma. Mas eu acho que visão de jogo… acho que isso vai dar erro, né?
RAPHINHA:
Não, é que no fim—
SOFASCORE:
Vai ter comparação depois?
RAPHINHA:
Não — isso aqui vai virar a nota, a média, entendeu?
SOFASCORE:
Eu quero ver.
RAPHINHA:
E depois tem os outros entrevistados — mas tem, por exemplo, um lutador. Você não deveria se comparar com os outros, porque cada um deu sua nota em outras categorias.
Por exemplo, a nota de um jogador não é a mesma de um jornalista. Tipo o Fabrizio Romano foi entrevistado, entendeu?
RAPHINHA:
Eu vou me avaliar lá em cima.
Vai ser tudo acima de 8, tá?
SOFASCORE:
Tá bom. Vai com calma. Mas você tem que justificar.
Passe Longo
RAPHINHA:
Passe longo… bom. 9.
SOFASCORE:
Não, pera aí. Já começou a ficar louco, já subiu de 8 para 9.
RAPHINHA:
Não — passe longo, eu tenho um bom passe longo.
SOFASCORE:
Claro.
RAPHINHA:
Eu tenho um bom passe longo.
Não tem muita explicação. Eu tenho um bom passe longo. Acabou. Beijo, tchau.
SOFASCORE:
Mas eu preciso de uma explicação sobre o passe longo. Só para bater um papo aqui, né? Para manter o ritmo. Não só “passe longo, tchau!”
RAPHINHA:
Sim, mas o passe longo vai ser assim mesmo.
SOFASCORE:
Tá bom.
RAPHINHA:
Não tem muita explicação.
Tackle
Desarme
SOFASCORE:
Continua — desarme.
RAPHINHA:
Desarme… eu não acho que sou alguém que desarma muito, mas a minha atitude em campo ajuda o próximo jogador a fazer o desarme.
SOFASCORE:
Você facilita o desarme dos outros?
RAPHINHA:
Eu facilito o desarme, mas o desarme aqui seria eu desarmar?
Não. Então eu colocaria, sei lá… 7.4, 7.5.
SOFASCORE:
Mas é porque você não executa muito.
RAPHINHA:
Porque eu não executo o desarme… mas o meu companheiro logo ao lado, eu acho que ele encontra mais facilidade para desarmar por causa do desequilíbrio que eu causei ali.
7.5.
RAPHINHA:
Mas eu realmente não desarmo muito.
Drible, Cruzamento e Finalização
SOFASCORE:
Drible?
RAPHINHA:
Hoje em dia? 7.9 só para me formar.
Como eu te falei… hoje eu não me vejo como um jogador de drible, mesmo que às vezes saia uma coisinha.
Mas eu não me vejo como driblador. Eu me vejo mais como um armador, com mais posicionamento em campo e na área, do que como um driblador em si.
Quem já driblou não esquece como faz, mas eu não me considero um driblador.
7.9.
SOFASCORE:
Lembra que você colocou todo o resto lá em cima. Você precisa ver a média que você quer — mas tudo bem. Você tem que ser justo.
RAPHINHA:
Eu vou ser justo comigo.
Mas eu não vou colocar nada abaixo de 7.
Cruzamento
RAPHINHA:
Cruzamento… 8.5.
Eu acho que quando eu chego no terço final — quando eu chego na linha de fundo do campo — eu acredito que tenho uma taxa de acerto muito alta em relação a onde eu quero cruzar.
Conseguir procurar um companheiro e acertar o cruzamento.
Mesmo que muitas vezes o adversário tire a bola, o ponto onde eu tentei cruzar foi realmente o que eu quis fazer.
Então eu acho que avaliaria o cruzamento como 8.5.
SOFASCORE:
Boa.

Finalização
SOFASCORE:
Finalização.
RAPHINHA:
Finalização… 8.5 também.
Eu acho que eu finalizo muito bem, mas… eu acho que muitas vezes eu relaxo demais e acabo errando coisas que, na minha visão, eu não deveria errar.
Eu sou muito autocrítico, mas acredito que ainda tenho muita coisa para melhorar na finalização.
Mas, mesmo assim, eu acredito que sou um bom finalizador.
SOFASCORE:
O que você acha que ainda precisa melhorar?
RAPHINHA:
Ah, eu acho que preciso estar mais concentrado.
Por exemplo, ontem teve um momento em que, na minha visão, eu peguei muito pesado comigo mesmo porque eu acho que deveria ter feito aquele gol. Entendeu?
Então tem momentos de concentração em que muitas vezes eu acho a coisa tão fácil que eu relaxo.
E aí, nesse relaxamento, eu acabo errando.
SOFASCORE:
Certo. É um detalhe, mas é importante — consciência de corpo e mente, saber que o corpo inteiro está tenso para finalizar, né?
RAPHINHA:
Sim, exatamente. Então 8.5.
Chute, Bola Parada e Nota Final
RAPHINHA:
Força do chute — 9.
Mesmo eu sendo bem magro, eu tenho uma força de chute muito alta.
SOFASCORE:
Você já jogou aquele joguinho? Tipo… a bola numa máquina que mede velocidade? Você conhece?
RAPHINHA:
Eu procurei, mas nunca encontrei.
SOFASCORE:
Ah sim, lá no PSG os meninos faziam uma festinha assim.
RAPHINHA:
Não, aqui não tem isso.
SOFASCORE:
Não, não era do clube. Eles alugaram um lugarzinho, arrumaram—
RAPHINHA:
Sim, não, é tipo um lugar fora, né?
SOFASCORE:
Isso.
RAPHINHA:
Não, não… aqui não tem.
Eu lembro que o Paredes ganhava de todo mundo.
É, não, mas eu tenho um chute muito forte. Não para dar nota 10, mas 9.
Pelo meu perfil físico — pernas finas — costuma surpreender muita gente.
Então eu coloco 9.
Precisão do Chute
RAPHINHA:
Precisão do chute… eu acho que depende muito.
Depende muito da finalização.
SOFASCORE:
Sim, está meio ligado.
RAPHINHA:
E com base no relaxamento… não sei… 8.3.
SOFASCORE:
8.3 — eu acho que é uma boa nota.
RAPHINHA:
É quase verde, mas ainda não é verde. 8.3.
Set Piece
Bola Parada
RAPHINHA:
Bola parada… 8.8.
Eu não acho que tenha muita explicação. Eu acho que é um número legal.
SOFASCORE:
Os vídeos estão aí, né? É só assistir “Set Pieces by Raphinha.”
Não encerra, não.
RAPHINHA:
Tem umas coisas boas.
Nota Final
RAPHINHA:
Minha nota? Aqui está minha nota: 8.5. Acho justo.
SOFASCORE:
É boa?
RAPHINHA:
É boa. Eu gosto.
SOFASCORE:
Você queria que fosse acima de 8, né?
RAPHINHA:
É, é nota de aprovação. É uma nota boa. Eu gosto do número 8 e está em azul — fica bonito.
Então, é justo.
Escolhendo os Melhores Jogadores para Cada Atributo
SOFASCORE:
Agora vamos fazer a mesma coisa, mas você não precisa usar o iPad. Eu vou falar um atributo, igual quando você se avaliou, e você vai dizer o primeiro jogador que vem à sua cabeça — e por quê. Uma frasezinha. Pode ser?
RAPHINHA:
Pode.
SOFASCORE:
Vamos lá. Três, dois, um… velocidade.
RAPHINHA:
Rashford.
SOFASCORE:
Essa frasezinha é o que me mata.
RAPHINHA:
Cara, eu já conhecia ele da Premier, e já achava ele muito rápido. Mas convivendo com ele nos treinos e nos jogos…
eu não tenho palavras para explicar.
É absurdo — a força que ele tem na arrancada, na velocidade.
SOFASCORE:
Certo. E fôlego?
RAPHINHA:
Pedri. Sim, Pedri — não tem como. Pedri está em todo canto do campo e numa intensidade absurda.
SOFASCORE:
Técnica?
RAPHINHA:
Pedri também.
SOFASCORE:
Sério? Não precisa ser só—
RAPHINHA:
Não, poxa, não precisa ser só— aqui. Vem na cabeça.
RAPHINHA:
Deixa eu ver…
Não, tá bom. Pode ser o Pedri.
SOFASCORE:
Justo. É a sua opinião.
RAPHINHA:
Sim, não. É que—
SOFASCORE:
É que o quê, Rapha?
RAPHINHA:
Não, poxa. Eu vou de Pedri.
Eu vou de Pedri. Eu vou de Pedri.
SOFASCORE:
Visão.
RAPHINHA:
Visão, visão…
Eu colocaria o Pedri de novo, mas eu vou colocar o Ney.
Porque, para mim, ele é um jogador absurdo. O entendimento dele em campo e as coisas que ele enxerga no campo são algo absurdo.
SOFASCORE:
Certo. Passe longo.
RAPHINHA:
Passe longo…
Casemiro.
SOFASCORE:
Desarme.
RAPHINHA:
Casemiro. Não tem muito o que falar. O campo mostra tudo.
Ele nos passa uma sensação de segurança quando estamos perto dele. É absurdo.
A gente sabe que ou a bola passa ou o jogador passa.
Então, para mim, isso é extremamente importante.
SOFASCORE:
Drible.
RAPHINHA:
Lamine.
Eu não preciso falar mais nada.
E se eu tentar explicar, acho que vou estragar.
Não precisa. Ele é um fenômeno.
SOFASCORE:
Cruzamento.
RAPHINHA:
Jordi Alba.
SOFASCORE:
Finalização.
RAPHINHA:
De longe ou de perto?
SOFASCORE:
O mesmo que você avaliou em você.
RAPHINHA:
O mesmo que eu avaliei em mim?
SOFASCORE:
Você pode escolher. Justifica a resposta. Pensa.
RAPHINHA:
Deixa eu pensar um pouco.
Cara, eu penso em um momento que me surpreendeu muito…
Eu acho que eu vou colocar o Lewandowski, tipo…
Porque a qualidade de finalização dele é absurda.
SOFASCORE:
Força do chute.
RAPHINHA:
Rashford.

SOFASCORE:
Precisão do chute.
RAPHINHA:
Precisão do chute…
Ney.
SOFASCORE:
E bola parada.
RAPHINHA:
É de quem está jogando atualmente?
SOFASCORE:
É quem vier na sua cabeça.
RAPHINHA:
Pode ser também do passado, mas agora é a última, então…
Bola parada?
Nossa.
SOFASCORE:
Não precisa ser dos atuais.
RAPHINHA:
É o que vier à cabeça.
Eu achei que era dos atuais.
Não, tudo bem.
Cara, eu vou…
É que dá para dividir, né?
Você pode colocar o Ney, pode colocar o Messi…
Pode colocar o Ronaldinho…
Mas se eu penso primeiro em bola parada — fecho os olhos — quem vem na cabeça?
Vêm todos juntos.
Eles vêm juntos, eles levantam do chão, os três.
Sim.
Eu vou colocar o Messi para bola parada.
E em termos de visão de jogo, eu acho que também colocaria o Busquets.
Eu lembrei agora.
Era… diferente.
Ele era absurdo.
Os Companheiros Mais Subestimados
SOFASCORE:
Quem é o jogador mais subestimado com quem você já dividiu o campo?
Aquele que o povo não presta tanta atenção, ou talvez não receba o reconhecimento que merece, mas você pensa “cara, eu sei que ele é diferente porque eu dividi o campo com ele.”
Quem seria esse jogador?
RAPHINHA:
Porque eu já joguei com muita gente…
SOFASCORE:
Sim, mas alguns você pensa, “cara, como é que ninguém valoriza ele?”
Ou não valoriza tanto quanto—
Você sabe, aquele famoso ditado brasileiro: pouca mídia, muito futebol.
RAPHINHA:
Pedri é um, mas eu acho…
SOFASCORE:
Sim, o Pedri te surpreendeu, porque se fala muito dele. Seria legal você explicar.
RAPHINHA:
Sim, mas eu acho que as pessoas veem — mais o pessoal daqui de Barcelona, que acompanha mais os jogos.
Tanto que ele é praticamente elogiado em todos os jogos.
SOFASCORE:
Sim, mas talvez do grande—
RAPHINHA:
Mas eu não sei, né? Fora daqui, como ele é visto.
Se eu dissesse que as pessoas não valorizam ele, eu estaria mentindo, porque o que eu vejo aqui é absurdo.
Eu não sei como ele é visto fora, mas se ele não for visto da mesma forma fora da Espanha como é visto na Espanha, eu colocaria o Pedri.
Por exemplo, ele não tem números absurdos de assistências, gols, mas ele é o cara mais importante do campo para o nosso time.
SOFASCORE:
O que você vê, de uma perspectiva mais próxima, que o torcedor talvez não veja?
RAPHINHA:
Cara, o Pedri…
O Pedri desarma, ele constrói jogadas, ele defende, ele ataca, ele passa.
Eu diria “pré-assistência”, que eu acho que deveria ter um valor alto no Sofascore — então, uma ideia aí para vocês.
Anota o feedback.
Pré-assistência — o passe chave.
Aquele passe em que o cara ao lado só rola para o outro fazer o gol.
Conta como assistência para ele, mas o passe fenomenal que você deu não conta.
Ele dá assistências, faz gols, e tudo mais, mas ele consegue controlar o jogo de uma forma que a maioria dos jogadores não tem o entendimento — saber quando ir, quando acalmar o jogo, quando acelerar.
Para mim, ele é um jogador muito completo que não tem o valor que deveria ter.
O Jogador Mais Completo com Quem Ele Já Jogou
SOFASCORE:
E tirando o Pedri — quem é o jogador mais completo com quem você já jogou?
Aquele que te faz pensar “é o pacote completo.”
Ele estaria no seu Ultimate Team.
RAPHINHA:
Mais completo com quem eu já joguei junto?
Completo no sentido de todos os atributos — tipo, às vezes o cara só ataca.
O outro que estamos falando, ele ataca e defende.
Ele é como o Pedri, está em todo canto, sabe se comportar.
Ele é como o Pedri, só que como você já falou dele, eu queria ouvir outro — alguém muito completo, que você pensou: “meu Deus… esse cara é absurdo.”
RAPHINHA:
Cunha.
SOFASCORE:
Matheus Cunha?
RAPHINHA:
Matheus Cunha.
Eu acho que ele… tipo… absurdo.
Eu também acho que ele não tem o valor que deveria ter.
Ele não é reconhecido da forma que deveria.
Porque para mim ele é um cara que defende bem, pressiona bem, ataca bem, está em movimento constante no campo, te dá opção no pé, te dá opção em profundidade.
Ele tem gols, tem assistências, é brigador.
E muitas vezes, por não ter números — números sendo gols, assistências.
Mas como eu falei, ele tem a pré-assistência, ele tem, de repente, uma pressão que faz o adversário perder a bola que vira gol.
Para mim, essas são coisas muito importantes que não aparecem como gol ou assistência — mas são tão importantes quanto.
Então eu acho que eu colocaria ele também nessa categoria de “jogador completo.”
Acaba que ele também poderia entrar na outra categoria — a de subestimado.

Ídolos de Infância
SOFASCORE:
Bom. E quem foi o seu ídolo de infância?
RAPHINHA:
De infância — Ronaldinho.
É complicado, né?
Porque você fala de infância, mas eu comecei a acompanhar o Ney quando eu tinha 15 anos.
Mas ele também era… meu Deus… ele tinha 18 anos, né? 19, não sei.
17, quando começou.
SOFASCORE:
Infância Ronaldinho, e adolescência?
RAPHINHA:
Muita infância Ronaldinho, pré-adolescência.
Eu comecei a acompanhar bastante o Neymar — ele estava no final da carreira do Ronaldinho, e no começo do Ney.
Mas os caras que eu…
Cara, eu tinha um tablet com vários vídeos baixados — lances do Ronaldinho, gols, assistências — e, consequentemente, do Ney também.
SOFASCORE:
E você memorizava para tentar replicar?
RAPHINHA:
Antes dos jogos, eu ficava—
Não, não para replicar, mas eu ficava assistindo.
SOFASCORE:
Como inspiração, né?
RAPHINHA:
Meu Deus, gente.
Porque às vezes te dá um insight no momento do jogo — você fala: poxa, aquele movimento, aquele corte ali… não sei, né? Não sei.
São os dois caras que foram e são minha referência até hoje.
SOFASCORE:
Bom.
Esta entrevista é apenas o começo. Na próxima parte, Raphinha aprofunda ainda mais sua trajetória no futebol, com novas histórias e novos insights. Fique ligado na Parte 2, em breve.
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28 de jan. de 2026Entrevista Exclusiva Sofascore: Raphinha, Parte 1

Raphinha viveu todos os tons do futebol moderno. Desde a luta pela sobrevivência na Premier League até noites decisivas em Barcelona e a emoção de marcar pela seleção brasileira, cada capítulo moldou o jogador que ele é hoje. Nesta entrevista exclusiva ao Sofascore, ele fala abertamente sobre expectativas para a Copa do Mundo, trabalhar com Ancelotti, seus objetivos pessoais para 2026 e os marcos emocionais que definiram sua trajetória. Esta conversa vai além de resultados e placares. Ela revela a mentalidade, a personalidade e o fogo competitivo por trás de um dos jogadores brasileiros mais influentes de sua geração.
SOFASCORE:
Bom, pessoal, estamos aqui com o Raphinha, ao vivo do centro de treinamento do Barcelona. Raphinha, seja bem-vindo. Obrigado por falar com a gente. Você está feliz? Está preparado?
RAPHINHA:
Obrigado, agradeço o convite. Estou preparado.
SOFASCORE:
Para começar, como um aquecimento, eu queria que você falasse um pouco sobre a sua temporada atual. Você acabou se machucando, mas está de volta agora. Como está o seu momento no Barcelona?
RAPHINHA:
Eu prefiro dizer que a minha temporada começa depois da minha lesão. Teve alguns jogos antes, mas foram jogos em que eu ainda estava tendo dificuldades por algum motivo. Logo depois disso, tive a lesão e recaídas da lesão. Então eu prefiro apontar que a minha temporada mesmo está começando agora.
>> Raphinha em entrevista exclusiva: “Com a temporada que fiz, eu deveria ter ganhado a Bola de Ouro”
Tornando-se Capitão do Barcelona
SOFASCORE:
Você é um dos capitães deste elenco do Barcelona. A gente sempre vê você como uma figura muito presente, muito respeitada. Como é para você usar a braçadeira de capitão do Barça?
RAPHINHA:
Eu me sinto muito honrado por poder usar a braçadeira de capitão.
Obviamente, é algo que eu conquistei desde o dia em que cheguei, por causa da maneira como eu sou, a pessoa que eu sou no vestiário e dentro de campo.

RAPHINHA:
Mas é algo natural. Eu tento ajudar meus companheiros o máximo possível, tento ajudá-los a render no melhor nível. Então eu acho que não é algo forçado — é muito natural. No fim, isso me recompensou sendo um dos capitães do time e, em várias ocasiões, podendo usar a braçadeira.
Recebendo Dois Troféus do Sofascore
SOFASCORE:
Bom, pessoal, este é um momento pelo qual eu estava esperando. Na temporada passada, o Raphinha foi uma máquina. Ele ganhou dois troféus do Sofascore. Melhor jogador de La Liga com um Sofascore Rating de 7.80, e melhor jogador da Champions League com um Sofascore Rating de 8.24. Nós vamos entregar o troféu para ele agora.
Cara, você sabe que conseguir uma nota alta no Sofascore é difícil, né?
RAPHINHA:
Sim, eu percebi isso nesta temporada.
SOFASCORE:
Então, como é para você receber dois troféus do Sofascore?
RAPHINHA:
Cara, é muito legal. Como você disse, é uma plataforma que é muito exigente com os jogadores e com as notas. Então poder receber esses troféus — tanto de melhor jogador da Liga quanto de melhor jogador da Champions League — é muito legal.

RAPHINHA:
Porque significa que, de alguma forma, eu consegui entregar o que o Sofascore esperava de mim.
Então eu estou muito feliz e agradecido.
Pensando na Vida Após o Futebol
SOFASCORE:
Agora, desviando um pouquinho do assunto… Eu sei que você ainda é muito jovem para pensar no que vai fazer depois, mas você já pensou em seguir no futebol como dirigente, treinador? Isso passa pela sua cabeça?
RAPHINHA:
Passa — mas ser treinador? Jamais.
SOFASCORE:
Por quê?
RAPHINHA:
Porque ser treinador, para nós jogadores, já é algo muito exigente. Chegar cedo ao clube, sair tarde, ficar em hotel no dia antes dos jogos. Muitas vezes voltamos para casa um dia depois, dependendo dos aeroportos. A gente quase não fica em casa. Para mim, isso já é complicado.
E ser treinador… você tem que estar lá antes dos jogadores, sair depois dos jogadores, preparar treinos, preparar para os jogos. Praticamente toda a sua vida é trabalho. E eu acho que isso não é justo com a sua família e com seus amigos. Tem que haver um meio-termo, e a vida de treinador é muito exigente.
Tem pessoas que gostam — eu não julgo — mas, pessoalmente, não é algo que passa pela minha cabeça.
SOFASCORE:
Estar envolvido com o futebol de outra forma, talvez?
RAPHINHA:
Sim, quem sabe? Talvez como dirigente, assessor… não sei. Não faço ideia.
SOFASCORE:
Não passou pela sua cabeça até hoje?
RAPHINHA:
Passa pela minha cabeça, obviamente. Mas nada concreto. É algo distante. Eu tento pensar em alguma coisa, mas ser treinador… se algum dia fosse uma opção, seria a última.
Relação com Hansi Flick
SOFASCORE:
Certo. Você mencionou esquecer a ideia de ser treinador por causa da rotina pesada. Recentemente, nós vimos um vídeo que chamou bastante atenção — o Hansi Flick emocionado, talvez chorando. Você estava lá conversando com ele, acalmando ele. O que aconteceu ali? Como é a sua relação com o Flick?
RAPHINHA:
Bom, em quase todas as entrevistas quando me perguntam sobre ele, eu digo que ele foi quem praticamente fez eu ter a melhor temporada da minha carreira. Ele me fez competir por prêmios individuais. Ele me fez entender de novo o meu lugar no futebol, me entender como pessoa.
Muito do que aconteceu na temporada passada, e do que está acontecendo agora, é graças a ele — ele acreditou em mim quando eu acho que ninguém mais acreditava, nem eu mesmo.
Então eu só posso agradecer a ele por tudo o que me aconteceu, tudo o que está acontecendo. Eu só posso ser grato.
Sobre aquela cena… eu acho que ele estava chateado com o assistente dele, que foi expulso. Foram dois cartões vermelhos no nosso banco. Ele ficou chateado.

RAPHINHA:
Depois ele disse que também estava chateado com o desempenho da equipe. Eu tentei acalmar ele, dizendo que a gente ia voltar, que estávamos nos reconectando de novo, e que o mais importante naquele momento era a vitória do time — que nós conseguimos.
E eu acho que estamos nos reconectando mais uma vez.
SOFASCORE:
É muito legal essa proximidade que você tem com ele. Dá para ver que ele respeita você, o carinho, e você acaba sendo um elo entre treinador, comissão e jogadores. Você percebe o quanto isso é incrível?
RAPHINHA:
Não. Eu não faço ideia.
Como eu te disse no começo, é natural. Não é forçado. É uma relação que foi se desenvolvendo com o tempo — um carinho mútuo dos dois lados.
É uma confiança que estamos construindo, uma liberdade que criamos. Ele se sente à vontade para falar comigo sobre qualquer coisa, e ele também me faz sentir à vontade para falar com ele sobre qualquer coisa.
Essa confiança é o mais importante para que a gente trabalhe da melhor maneira possível.
Relembrando a Última Temporada
SOFASCORE:
A gente ainda não falou sobre isso — que avaliação você faz da última temporada? A temporada que te deu dois troféus do Sofascore, levou o Barça para a semifinal da Champions League e foi incrível para você. Você sentiu que poderia ter chegado à final?
RAPHINHA:
Sim, esse sentimento existia. Eu acho que a gente tinha um pé na final desde o momento em que fizemos o terceiro gol.
Infelizmente, não tivemos maturidade suficiente para fazer o que equipes mais experientes fazem. Depois do terceiro gol, o jogo deveria ter acabado — defender, não tomar gol. Naquele momento, a gente tinha um pé na final.
Eu acho que a gente se deixou levar pelo jogo, ele ficou mais aberto, não soubemos controlar, e acabamos sofrendo o empate. Jogando no estádio deles, com o resultado virando a favor deles, com a torcida deles… é muito complicado.
SOFASCORE:
E qual é a sua avaliação da temporada do Barça e da sua, tirando a semifinal?
RAPHINHA:
Tirando a semifinal, que nos afetou, eu acho que foi praticamente uma temporada impecável da equipe. Não é à toa que ganhamos todos os títulos nacionais.

RAPHINHA:
Na minha opinião, nós fizemos uma temporada absurda, com números absurdos. Fica aquele sentimento de que faltou alguma coisa, algo que estava nas nossas mãos. Mas, no geral, foi uma temporada de excelência muito alta.
Mantendo o Nível do Barça em Alta
SOFASCORE:
Como vocês mantêm essa química? Porque vocês ganham, o time ganha, títulos incríveis… e aí manter esse nível na temporada seguinte é difícil. Qual é o segredo?
RAPHINHA:
Ter muitos jogadores novos é muito importante. Eles querem escrever o nome deles na história do clube, ganhar títulos, ganhar a Champions League. Esses são os objetivos deles.
Escrever história, ser lembrado, ser um exemplo.
O fato de ter muita gente nova ajuda muito. Eles veem o que conquistamos no ano passado, o quão bonito foi — o apoio, as comemorações, a cidade parando por nós.
Esse sentimento de “na próxima temporada a gente pode fazer mais” é importante.
Sobre Sua Lesão
SOFASCORE:
Você mencionou a sua lesão, que se sentiu um pouco culpado porque talvez tenha antecipado a sua volta. Explica para a gente o que foi essa lesão. Agora está tudo certo?
RAPHINHA:
A minha lesão foi muito pequena. Tão pequena que eu me lesionei no jogo e no dia seguinte eu não estava sentindo nada — mas a lesão ainda estava lá.
Três ou quatro dias depois eu já estava no gramado trabalhando com bola — trabalho controlado, mas já fazendo mudanças de direção.
Como eu estava me sentindo bem, achei que podia forçar um pouco mais. E é aí que uma lesão pequena te engana. É exatamente o momento em que ela está cicatrizando. Se você faz mais do que deveria, você quebra o processo de cicatrização, reabre o machucado e aí volta para a estaca zero — como se a lesão tivesse começado do zero.
Isso aconteceu comigo duas vezes. Naquela primeira semana, quando eu achava que estava tudo bem e não estava. E depois de novo na semana do El Clásico, quando eu queria forçar, provar para mim mesmo que eu podia jogar. Mas acabei provando o contrário. Antecipei mais do que precisava e aconteceu de novo, então fiquei fora por mais três semanas.
SOFASCORE:
Mas agora está tudo bem?
RAPHINHA:
Agora estou bem.
SOFASCORE:
Você voltou ao normal?
RAPHINHA:
Estou bem. Estou bem! Não voltei ao normal, mas estou bem.
Medo de Recaídas e a Copa do Mundo no Horizonte
SOFASCORE:
Certo, porque a gente começa a pensar — a Copa do Mundo está chegando. A gente acabou de ver o Militão se machucar e talvez só volte em abril. Eu imagino que, me colocando no seu lugar, eu também teria medo de me machucar.
Obviamente existe o compromisso com o clube, vocês são profissionais, mas a Copa do Mundo tem um peso enorme na carreira de qualquer jogador. Isso passa pela sua cabeça?

RAPHINHA:
Não tem como isso não passar pela cabeça. No ano passado, no último ciclo, eu lembro que o Coutinho fez praticamente todo o ciclo com a gente. E ele teve uma lesão no final da temporada — eu não lembro se ele já estava no Brasil. Acho que não.
Então foi talvez no meio da temporada para ele. E ele teve uma lesão pré-Copa que impediu ele de estar na Copa do Mundo.
Então, é normal para nós, com a Copa na cabeça, pensarmos no que pode acontecer ou não.
Mas precisamos estar preparados fisicamente. Da melhor maneira possível. Temos que nos preparar, nos cuidar ao máximo.
Não que a gente já não fizesse isso — eu, pessoalmente, me cuido muito. Eu praticamente vivo na recuperação. Mas tem coisas que você não consegue controlar. Às vezes o corpo exige demais; tem desgaste físico, desgaste mental, e acontecem algumas lesões que você simplesmente não consegue evitar, mesmo quando você se cuida mais do que o suficiente.
Aconteceu comigo mesmo assim. Então é algo que você não controla. Você só consegue tentar minimizar riscos. Mas controlar 100% se vai acontecer ou não… isso foge do seu controle.
O que você consegue controlar é a recuperação, treinar bem, estar preparado fisicamente e mentalmente. E eu acho que todos os jogadores vão fazer isso, não só por causa da Copa, mas porque querem estar jogando sempre.
Mas sim — é normal isso passar pela cabeça, e normal querer estar em perfeitas condições para desempenhar bem na Copa do Mundo.
Três Principais Coisas que Todo Jogador Profissional Deve Priorizar
SOFASCORE:
Se você tivesse que escolher as três principais coisas que um jogador profissional precisa fazer para estar sempre bem, o que você escolheria? Sono? Nutrição? Coisas que mudam tudo se você não seguir à risca?
RAPHINHA:
Trabalho — ética de trabalho é o mais importante. Recuperação.
Recuperação no sentido amplo: sono, nutrição, fisioterapia. E força mental.
Eu acho que esses são os três pontos principais. Pode ser que existam outros que eu esteja esquecendo, mas esses três são muito importantes.
Jogar pela Seleção e se Preparar para uma Segunda Copa do Mundo
SOFASCORE:
Como é agora, pensando que a Copa do Mundo está se aproximando? Na minha opinião, você já é um dos nomes na cabeça do Ancelotti. Como é jogar pela seleção brasileira e, de repente, pensar em disputar outra Copa?
RAPHINHA:
Cara, é… é bem louco.
Antes de eu ser convocado pela primeira vez para a seleção, eu nunca imaginei que seria convocado. Eu nunca imaginei vestir a camisa da seleção. Querer eu queria? Eu queria muito. Mas eu não me via lá.
Eu não via as circunstâncias a meu favor. E aí aconteceu — resultado de muitos anos de trabalho. Acabei indo para a Copa.
Poder disputar uma segunda Copa do Mundo também é louco. Porque, ok, você foi para a primeira. Mas chegar na próxima exige mais quatro anos de consistência absurda. Você tem que estar no seu melhor nível dentro e fora de campo.
Você tem que se manter bem fisicamente, entregar bom trabalho, continuar sendo convocado, e aí estar na próxima Copa.
Então passar por todo esse ciclo de novo — com muitos prós e contras — é muito legal. É gratificante, porque eu entreguei tudo o que podia nesses quatro anos.
Obviamente ainda faltam cerca de seis meses, e eu ainda tenho que entregar o meu melhor para estar lá.
Mas saber que eu fiz parte de quase todo o ciclo de novo, com três ou quatro treinadores diferentes, mostra que algo está sendo feito muito bem individualmente.
E que eu contribuo com algo para a seleção para permanecer lá durante todo o ciclo.

O Grupo do Brasil na Copa do Mundo: Respeito e Realismo
SOFASCORE:
Rapha, o que você achou do grupo do Brasil? Marrocos, Haiti e Escócia. O que você achou?
RAPHINHA:
Ontem alguém me perguntou a mesma coisa.
Quando saiu o Marrocos, eu confesso que fiquei… bom, muitas pessoas acham que o futebol de hoje é como era há 15 anos — quando muitas vezes você entrava em campo e só a camisa ganhava o jogo.
Hoje o futebol é muito diferente.
Muitos jogadores jogam em alto nível, em grandes clubes, mesmo aqueles de seleções que não têm um nome tão forte.
Mas o nome engana o torcedor. As pessoas falam “o Brasil vai jogar contra o Haiti” e acham que vai ser fácil. Algo garantido. E não é.
Eles se classificaram para a Copa — eles merecem estar lá.
Eu prefiro encarar cada jogo como o mais difícil. Marrocos é o mais difícil. Depois Haiti, o mais difícil. E assim por diante. Isso mantém a concentração alta.
SOFASCORE:
Então você acha que é um grupo justo? Nada de grupo da morte?
RAPHINHA:
Eu não acho que exista grupo da morte. Alguns grupos são mais difíceis, sim, mas todos são equilibrados de alguma maneira.
E agora com mais seleções se classificando — as duas primeiras e as oito melhores terceiras colocadas — cria mais oportunidades. Tem até uma fase antes das oitavas.
Então acaba ficando mais fácil.
SOFASCORE:
Mas você gostou do grupo do Brasil? Está ok?
RAPHINHA:
Eu gostei. Gostei.
E Marrocos foi semifinalista da última Copa — uma sensação, uma geração absurda.
As pessoas dizem “o dia em que o Brasil tiver medo de Marrocos, desiste.” Mas não é medo — é respeito.
A gente tem que respeitar todas as seleções, mas também saber do nosso potencial.
Se estivermos realmente focados, trabalhando juntos, nossas chances de ganhar de qualquer seleção são muito maiores.
Mas se acharmos que é só entrar em campo e ganhar por causa da camisa… não vamos.
Favoritos da Copa do Mundo
SOFASCORE:
Eu não vou perguntar sobre o Brasil. Quais seleções você acha que são favoritas para ganhar a Copa do Mundo?
RAPHINHA:
França. Argentina. Espanha. Até a Inglaterra está indo muito bem.
Tem muitas seleções que são favoritas.
Mas a Copa do Mundo é curta. A seleção que estiver melhor preparada — não ao longo do torneio inteiro, mas nos dias dos jogos — avança.
Você pode jogar bem por semanas, mas se estiver mal no dia decisivo, está fora.
Então não importa se você foi ótimo antes. Se você falhar no dia-chave, você não avança.
Amistosos Contra a Croácia e a França
SOFASCORE:
Em março teremos os últimos amistosos — Croácia e França. Bons testes mesmo sendo amistosos?
RAPHINHA:
Sim. A gente vem fazendo bons testes. Jogando contra seleções que estarão na Copa do Mundo.
Esses jogos vão mostrar o nosso nível, e o que ainda precisamos melhorar para chegar na melhor forma possível.
SOFASCORE:
Como você imagina esses jogos?
RAPHINHA:
Serão bons jogos. Assim como nós respeitamos todas as seleções, eu acredito que todas as seleções respeitam o Brasil também — o que é importante.

Trabalhar com Ancelotti e Metas para 2026
SOFASCORE:
Como é trabalhar com o Ancelotti? Por que ele é diferente?
RAPHINHA:
Ele me surpreendeu muito, de forma positiva. Eu não tinha tido muito contato com ele antes. Mas quando a gente conversava, ele sempre me parecia um cara muito gente boa.
Na seleção, o jeito que ele trabalha, o jeito que a comissão trabalha, a proximidade dele com os jogadores — é parecido com o Flick.
Após a chegada dele, nós começamos a nos reconectar de novo. A gente vem jogando bem. Eu acho que podemos crescer ainda mais.
SOFASCORE:
Para encerrar essa parte das perguntas… se você pudesse fazer uma lista de metas para 2026, quais seriam?
RAPHINHA:
Para o ano que vem?
Ganhar a Supercopa.
Ganhar novamente os três títulos nacionais — Supercopa, Copa do Rei, La Liga.
Ganhar a Champions League.
Ganhar a Copa do Mundo.
Esse é o ano perfeito.
SOFASCORE:
Você vai trabalhar com essas metas?
RAPHINHA:
Tem que trabalhar. Jogando pelo Barcelona e, na minha opinião, pela maior seleção do mundo — seus objetivos precisam ser esses.
Se o seu objetivo principal é apenas “participar e ver o que acontece”, você está no lugar errado.
Na minha visão, os objetivos pessoais e coletivos têm que ser ganhar todos os títulos possíveis.
SOFASCORE:
Boa, gostei. Vocês gostaram das metas do Raphael? Deixem aí nos comentários.

Esnobado no Ballon d’Or
SOFASCORE:
A sua temporada foi absurda — unânime. Mas no Ballon d’Or, você não ficou nem no top 3. Como foi isso para você?
RAPHINHA:
Eu fiquei chateado. Eu esperava mais. Eu esperava estar pelo menos no top 3.
Eu sabia que ganhar seria difícil porque a Champions League pesa muito.
Então eu fiquei chateado com a posição em que terminei.
Mas eu entendo que envolve muitas coisas que não posso controlar. Muitas coisas que é complicado continuar enfatizando.
O que eu posso dizer é que estou muito satisfeito com a temporada que tive — e nenhum prêmio individual vai apagar o que eu fiz na temporada passada.
SOFASCORE:
E qual seria o seu top 3? Se você pudesse escolher naquele momento — a temporada terminou — qual seria o seu top 3 do Ballon d’Or? Você se colocaria em terceiro, certo?
RAPHINHA:
Eu, pessoalmente, me colocaria em primeiro.
SOFASCORE:
Primeiro?
RAPHINHA:
Eu me colocaria em primeiro lugar! Para de fazer esse barulhinho! Se fosse… no meu entendimento… é um tique.
No meu entendimento, um prêmio individual não pode ser baseado em uma única competição.
Com base nisso, eu acho que merecia ser o primeiro pelo que entreguei durante a temporada, pelos títulos que ganhei, pelos números que alcancei e por tudo o que contribuí dentro de campo. Eu acho que merecia ganhar.
Como é um prêmio que é praticamente baseado em uma única competição, o Dembélé mereceu ganhar, até porque também fez uma temporada espetacular. O Lamine também fez uma temporada espetacular.
Mas, na minha visão, se fosse algo baseado na temporada em si, eu acho que merecia ganhar o prêmio.
SOFASCORE:
Bom, tudo bem. Esse é o top 3 do Raphinha. Seria você… segundo… quem viria depois?
RAPHINHA:
Ah, eu vou puxar para o meu time. Eu colocaria o Lamine e o Pedri.
SOFASCORE:
Certo. O Pedri também em terceiro? Então o Dembélé é o quarto, né?
RAPHINHA:
Quarto. Certo, beleza. Justo.

Avaliando a Si Mesmo com os Atributos do Sofascore
SOFASCORE:
Bom, agora o Rapha vai se avaliar. Pegamos as mesmas pontuações do Sofascore — de 3 a 10 — em vários atributos. Então está ali no tablet com ele, e ele vai começar a se avaliar.
Começando com velocidade. Três é muito ruim, três é terrível. 10 é o melhor.
Você vai falando e comentando. Então, vamos lá. Começa.
Velocidade
RAPHINHA:
Velocidade… eu… deixa eu ver. Eu sou rápido, mas tem pessoas mais rápidas. Eu não sou tão rápido quanto elas.
Eu daria 9.1.
SOFASCORE:
Uau, loucura. Bom. Uau, rápido. Fala um pouco desse atributo de velocidade.
RAPHINHA:
Eu acho que é um dos meus pontos fortes, a velocidade.
Obviamente hoje eu não sou tão rápido quanto há três anos, mas—
SOFASCORE:
Como se você fosse velho, né?
RAPHINHA:
Não, mas eu estou mais lento.
SOFASCORE:
Você sente isso?
RAPHINHA:
Eu sinto, eu sinto. Mas ainda assim…
SOFASCORE:
Então antes, você se daria 10? Para velocidade?
RAPHINHA:
Ah, no meu… no meu… no meu auge, tipo—
SOFASCORE:
Amigo, você ainda está no auge!
RAPHINHA:
Não, no meu auge de velocidade. Eu colocaria, sei lá… 9.9, talvez.
Mas hoje eu colocaria 9.1, porque… ah, eu sou meio rápido.
Fôlego
SOFASCORE:
Justo. Vamos lá. Próximo — fôlego.
RAPHINHA:
Fôlego… 9.
SOFASCORE:
Nove?
RAPHINHA:
Sim. Porque fisicamente eu acho… eu tento me cuidar ao máximo, para estar o mais bem preparado possível para o jogo.
Então eu sempre tento manter o nível mais alto possível de condicionamento físico. Eu daria 9.
SOFASCORE:
É, no jogo contra o Frankfurt — que foi ontem, inclusive — eu vejo você correndo o campo todo. Cara, você dá um pique, depois está dando outro. Como você aguenta?
RAPHINHA:
É… às vezes eu não aguento. Tipo agora, voltando de lesão.
SOFASCORE:
A tela chega a ficar preta às vezes? Do tipo uau.
RAPHINHA:
Dependendo da quantidade, em pouco tempo dá umas tonturas bem loucas.
Mas faz parte. Daqui a pouco passa.
Técnica
SOFASCORE:
Boa. Vai. Técnica.
RAPHINHA:
Técnica… eu daria 8.6.
SOFASCORE:
Comenta isso. Justifica sua resposta.
RAPHINHA:
Eu não posso me dar 3 em técnica. Aí seria muito pesado.
SOFASCORE:
Não, pera aí. A gente está falando do mínimo e de uma nota justa—
RAPHINHA:
8.7.
Hoje em dia eu acho que sou muito mais técnico do que, por exemplo, um jogador que busca situações de 1 contra 1.
Por exemplo, três anos atrás, ou quando eu estava no Leeds, eu era um jogador que buscava muito mais o 1 contra 1.
Porém, tecnicamente, eu acho que faltava muito.
Hoje em dia, eu me vejo mais como um jogador técnico do que há alguns anos.
Então, eu daria 8.7.
Função Tática e Posicionamento
SOFASCORE:
E como você trabalhou isso?
RAPHINHA:
Por causa da velocidade também. E por causa do posicionamento em campo.
Hoje em dia eu jogo em uma posição mais compacta, que exige um pouco mais de velocidade para pensar e encontrar alguns passes que, talvez, jogando aberto, você não precisasse de tanta velocidade para pensar — embora ainda precise de muita velocidade.
Mas eu acho que esse aspecto muda um pouco.
SOFASCORE:
E você fica trocando com o Yamal também. Vocês sinalizam quando precisam trocar?
RAPHINHA:
Eu, pessoalmente, vejo muito onde há espaços no campo.
Por exemplo, quando eu vejo que um jogador saiu da posição dele, eu tento cobrir aquela posição que está faltando.
Às vezes eu vejo que ele se posiciona por dentro — não sei, porque ele carregou a bola e ficou ali — eu me posiciono no lugar dele para sempre termos as posições ocupadas.
Visão
SOFASCORE:
Boa. Segue. Próximo — visão.
RAPHINHA:
Visão de jogo… 8.7 também.
SOFASCORE:
O Raphinha está zerando a vida aqui no Sofascore, porque agora ele pode dar a nota que ele quiser. Ele está nas nuvens.
RAPHINHA:
8.7, obviamente… Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Uma coisa é ter visão de jogo e conseguir enxergar bem o jogo e enxergar bons passes.
Outra coisa é conseguir executar esse passe perfeitamente.
Eu posso ter uma visão espetacular, ver alguma coisa, e aí estragar tudo — com o passe indo longe demais ou curto demais. E é isso.
O pessoal do Sofascore tira ponto meu, e muito obrigado por isso. É isso.
SOFASCORE:
Vai ter passe aqui ainda.
RAPHINHA:
Isso não é legal.

Passe Longo e Trabalho Defensivo
SOFASCORE:
Então, calma. Mas eu acho que visão de jogo… acho que isso vai dar erro, né?
RAPHINHA:
Não, é que no fim—
SOFASCORE:
Vai ter comparação depois?
RAPHINHA:
Não — isso aqui vai virar a nota, a média, entendeu?
SOFASCORE:
Eu quero ver.
RAPHINHA:
E depois tem os outros entrevistados — mas tem, por exemplo, um lutador. Você não deveria se comparar com os outros, porque cada um deu sua nota em outras categorias.
Por exemplo, a nota de um jogador não é a mesma de um jornalista. Tipo o Fabrizio Romano foi entrevistado, entendeu?
RAPHINHA:
Eu vou me avaliar lá em cima.
Vai ser tudo acima de 8, tá?
SOFASCORE:
Tá bom. Vai com calma. Mas você tem que justificar.
Passe Longo
RAPHINHA:
Passe longo… bom. 9.
SOFASCORE:
Não, pera aí. Já começou a ficar louco, já subiu de 8 para 9.
RAPHINHA:
Não — passe longo, eu tenho um bom passe longo.
SOFASCORE:
Claro.
RAPHINHA:
Eu tenho um bom passe longo.
Não tem muita explicação. Eu tenho um bom passe longo. Acabou. Beijo, tchau.
SOFASCORE:
Mas eu preciso de uma explicação sobre o passe longo. Só para bater um papo aqui, né? Para manter o ritmo. Não só “passe longo, tchau!”
RAPHINHA:
Sim, mas o passe longo vai ser assim mesmo.
SOFASCORE:
Tá bom.
RAPHINHA:
Não tem muita explicação.
Tackle
Desarme
SOFASCORE:
Continua — desarme.
RAPHINHA:
Desarme… eu não acho que sou alguém que desarma muito, mas a minha atitude em campo ajuda o próximo jogador a fazer o desarme.
SOFASCORE:
Você facilita o desarme dos outros?
RAPHINHA:
Eu facilito o desarme, mas o desarme aqui seria eu desarmar?
Não. Então eu colocaria, sei lá… 7.4, 7.5.
SOFASCORE:
Mas é porque você não executa muito.
RAPHINHA:
Porque eu não executo o desarme… mas o meu companheiro logo ao lado, eu acho que ele encontra mais facilidade para desarmar por causa do desequilíbrio que eu causei ali.
7.5.
RAPHINHA:
Mas eu realmente não desarmo muito.
Drible, Cruzamento e Finalização
SOFASCORE:
Drible?
RAPHINHA:
Hoje em dia? 7.9 só para me formar.
Como eu te falei… hoje eu não me vejo como um jogador de drible, mesmo que às vezes saia uma coisinha.
Mas eu não me vejo como driblador. Eu me vejo mais como um armador, com mais posicionamento em campo e na área, do que como um driblador em si.
Quem já driblou não esquece como faz, mas eu não me considero um driblador.
7.9.
SOFASCORE:
Lembra que você colocou todo o resto lá em cima. Você precisa ver a média que você quer — mas tudo bem. Você tem que ser justo.
RAPHINHA:
Eu vou ser justo comigo.
Mas eu não vou colocar nada abaixo de 7.
Cruzamento
RAPHINHA:
Cruzamento… 8.5.
Eu acho que quando eu chego no terço final — quando eu chego na linha de fundo do campo — eu acredito que tenho uma taxa de acerto muito alta em relação a onde eu quero cruzar.
Conseguir procurar um companheiro e acertar o cruzamento.
Mesmo que muitas vezes o adversário tire a bola, o ponto onde eu tentei cruzar foi realmente o que eu quis fazer.
Então eu acho que avaliaria o cruzamento como 8.5.
SOFASCORE:
Boa.

Finalização
SOFASCORE:
Finalização.
RAPHINHA:
Finalização… 8.5 também.
Eu acho que eu finalizo muito bem, mas… eu acho que muitas vezes eu relaxo demais e acabo errando coisas que, na minha visão, eu não deveria errar.
Eu sou muito autocrítico, mas acredito que ainda tenho muita coisa para melhorar na finalização.
Mas, mesmo assim, eu acredito que sou um bom finalizador.
SOFASCORE:
O que você acha que ainda precisa melhorar?
RAPHINHA:
Ah, eu acho que preciso estar mais concentrado.
Por exemplo, ontem teve um momento em que, na minha visão, eu peguei muito pesado comigo mesmo porque eu acho que deveria ter feito aquele gol. Entendeu?
Então tem momentos de concentração em que muitas vezes eu acho a coisa tão fácil que eu relaxo.
E aí, nesse relaxamento, eu acabo errando.
SOFASCORE:
Certo. É um detalhe, mas é importante — consciência de corpo e mente, saber que o corpo inteiro está tenso para finalizar, né?
RAPHINHA:
Sim, exatamente. Então 8.5.
Chute, Bola Parada e Nota Final
RAPHINHA:
Força do chute — 9.
Mesmo eu sendo bem magro, eu tenho uma força de chute muito alta.
SOFASCORE:
Você já jogou aquele joguinho? Tipo… a bola numa máquina que mede velocidade? Você conhece?
RAPHINHA:
Eu procurei, mas nunca encontrei.
SOFASCORE:
Ah sim, lá no PSG os meninos faziam uma festinha assim.
RAPHINHA:
Não, aqui não tem isso.
SOFASCORE:
Não, não era do clube. Eles alugaram um lugarzinho, arrumaram—
RAPHINHA:
Sim, não, é tipo um lugar fora, né?
SOFASCORE:
Isso.
RAPHINHA:
Não, não… aqui não tem.
Eu lembro que o Paredes ganhava de todo mundo.
É, não, mas eu tenho um chute muito forte. Não para dar nota 10, mas 9.
Pelo meu perfil físico — pernas finas — costuma surpreender muita gente.
Então eu coloco 9.
Precisão do Chute
RAPHINHA:
Precisão do chute… eu acho que depende muito.
Depende muito da finalização.
SOFASCORE:
Sim, está meio ligado.
RAPHINHA:
E com base no relaxamento… não sei… 8.3.
SOFASCORE:
8.3 — eu acho que é uma boa nota.
RAPHINHA:
É quase verde, mas ainda não é verde. 8.3.
Set Piece
Bola Parada
RAPHINHA:
Bola parada… 8.8.
Eu não acho que tenha muita explicação. Eu acho que é um número legal.
SOFASCORE:
Os vídeos estão aí, né? É só assistir “Set Pieces by Raphinha.”
Não encerra, não.
RAPHINHA:
Tem umas coisas boas.
Nota Final
RAPHINHA:
Minha nota? Aqui está minha nota: 8.5. Acho justo.
SOFASCORE:
É boa?
RAPHINHA:
É boa. Eu gosto.
SOFASCORE:
Você queria que fosse acima de 8, né?
RAPHINHA:
É, é nota de aprovação. É uma nota boa. Eu gosto do número 8 e está em azul — fica bonito.
Então, é justo.
Escolhendo os Melhores Jogadores para Cada Atributo
SOFASCORE:
Agora vamos fazer a mesma coisa, mas você não precisa usar o iPad. Eu vou falar um atributo, igual quando você se avaliou, e você vai dizer o primeiro jogador que vem à sua cabeça — e por quê. Uma frasezinha. Pode ser?
RAPHINHA:
Pode.
SOFASCORE:
Vamos lá. Três, dois, um… velocidade.
RAPHINHA:
Rashford.
SOFASCORE:
Essa frasezinha é o que me mata.
RAPHINHA:
Cara, eu já conhecia ele da Premier, e já achava ele muito rápido. Mas convivendo com ele nos treinos e nos jogos…
eu não tenho palavras para explicar.
É absurdo — a força que ele tem na arrancada, na velocidade.
SOFASCORE:
Certo. E fôlego?
RAPHINHA:
Pedri. Sim, Pedri — não tem como. Pedri está em todo canto do campo e numa intensidade absurda.
SOFASCORE:
Técnica?
RAPHINHA:
Pedri também.
SOFASCORE:
Sério? Não precisa ser só—
RAPHINHA:
Não, poxa, não precisa ser só— aqui. Vem na cabeça.
RAPHINHA:
Deixa eu ver…
Não, tá bom. Pode ser o Pedri.
SOFASCORE:
Justo. É a sua opinião.
RAPHINHA:
Sim, não. É que—
SOFASCORE:
É que o quê, Rapha?
RAPHINHA:
Não, poxa. Eu vou de Pedri.
Eu vou de Pedri. Eu vou de Pedri.
SOFASCORE:
Visão.
RAPHINHA:
Visão, visão…
Eu colocaria o Pedri de novo, mas eu vou colocar o Ney.
Porque, para mim, ele é um jogador absurdo. O entendimento dele em campo e as coisas que ele enxerga no campo são algo absurdo.
SOFASCORE:
Certo. Passe longo.
RAPHINHA:
Passe longo…
Casemiro.
SOFASCORE:
Desarme.
RAPHINHA:
Casemiro. Não tem muito o que falar. O campo mostra tudo.
Ele nos passa uma sensação de segurança quando estamos perto dele. É absurdo.
A gente sabe que ou a bola passa ou o jogador passa.
Então, para mim, isso é extremamente importante.
SOFASCORE:
Drible.
RAPHINHA:
Lamine.
Eu não preciso falar mais nada.
E se eu tentar explicar, acho que vou estragar.
Não precisa. Ele é um fenômeno.
SOFASCORE:
Cruzamento.
RAPHINHA:
Jordi Alba.
SOFASCORE:
Finalização.
RAPHINHA:
De longe ou de perto?
SOFASCORE:
O mesmo que você avaliou em você.
RAPHINHA:
O mesmo que eu avaliei em mim?
SOFASCORE:
Você pode escolher. Justifica a resposta. Pensa.
RAPHINHA:
Deixa eu pensar um pouco.
Cara, eu penso em um momento que me surpreendeu muito…
Eu acho que eu vou colocar o Lewandowski, tipo…
Porque a qualidade de finalização dele é absurda.
SOFASCORE:
Força do chute.
RAPHINHA:
Rashford.

SOFASCORE:
Precisão do chute.
RAPHINHA:
Precisão do chute…
Ney.
SOFASCORE:
E bola parada.
RAPHINHA:
É de quem está jogando atualmente?
SOFASCORE:
É quem vier na sua cabeça.
RAPHINHA:
Pode ser também do passado, mas agora é a última, então…
Bola parada?
Nossa.
SOFASCORE:
Não precisa ser dos atuais.
RAPHINHA:
É o que vier à cabeça.
Eu achei que era dos atuais.
Não, tudo bem.
Cara, eu vou…
É que dá para dividir, né?
Você pode colocar o Ney, pode colocar o Messi…
Pode colocar o Ronaldinho…
Mas se eu penso primeiro em bola parada — fecho os olhos — quem vem na cabeça?
Vêm todos juntos.
Eles vêm juntos, eles levantam do chão, os três.
Sim.
Eu vou colocar o Messi para bola parada.
E em termos de visão de jogo, eu acho que também colocaria o Busquets.
Eu lembrei agora.
Era… diferente.
Ele era absurdo.
Os Companheiros Mais Subestimados
SOFASCORE:
Quem é o jogador mais subestimado com quem você já dividiu o campo?
Aquele que o povo não presta tanta atenção, ou talvez não receba o reconhecimento que merece, mas você pensa “cara, eu sei que ele é diferente porque eu dividi o campo com ele.”
Quem seria esse jogador?
RAPHINHA:
Porque eu já joguei com muita gente…
SOFASCORE:
Sim, mas alguns você pensa, “cara, como é que ninguém valoriza ele?”
Ou não valoriza tanto quanto—
Você sabe, aquele famoso ditado brasileiro: pouca mídia, muito futebol.
RAPHINHA:
Pedri é um, mas eu acho…
SOFASCORE:
Sim, o Pedri te surpreendeu, porque se fala muito dele. Seria legal você explicar.
RAPHINHA:
Sim, mas eu acho que as pessoas veem — mais o pessoal daqui de Barcelona, que acompanha mais os jogos.
Tanto que ele é praticamente elogiado em todos os jogos.
SOFASCORE:
Sim, mas talvez do grande—
RAPHINHA:
Mas eu não sei, né? Fora daqui, como ele é visto.
Se eu dissesse que as pessoas não valorizam ele, eu estaria mentindo, porque o que eu vejo aqui é absurdo.
Eu não sei como ele é visto fora, mas se ele não for visto da mesma forma fora da Espanha como é visto na Espanha, eu colocaria o Pedri.
Por exemplo, ele não tem números absurdos de assistências, gols, mas ele é o cara mais importante do campo para o nosso time.
SOFASCORE:
O que você vê, de uma perspectiva mais próxima, que o torcedor talvez não veja?
RAPHINHA:
Cara, o Pedri…
O Pedri desarma, ele constrói jogadas, ele defende, ele ataca, ele passa.
Eu diria “pré-assistência”, que eu acho que deveria ter um valor alto no Sofascore — então, uma ideia aí para vocês.
Anota o feedback.
Pré-assistência — o passe chave.
Aquele passe em que o cara ao lado só rola para o outro fazer o gol.
Conta como assistência para ele, mas o passe fenomenal que você deu não conta.
Ele dá assistências, faz gols, e tudo mais, mas ele consegue controlar o jogo de uma forma que a maioria dos jogadores não tem o entendimento — saber quando ir, quando acalmar o jogo, quando acelerar.
Para mim, ele é um jogador muito completo que não tem o valor que deveria ter.
O Jogador Mais Completo com Quem Ele Já Jogou
SOFASCORE:
E tirando o Pedri — quem é o jogador mais completo com quem você já jogou?
Aquele que te faz pensar “é o pacote completo.”
Ele estaria no seu Ultimate Team.
RAPHINHA:
Mais completo com quem eu já joguei junto?
Completo no sentido de todos os atributos — tipo, às vezes o cara só ataca.
O outro que estamos falando, ele ataca e defende.
Ele é como o Pedri, está em todo canto, sabe se comportar.
Ele é como o Pedri, só que como você já falou dele, eu queria ouvir outro — alguém muito completo, que você pensou: “meu Deus… esse cara é absurdo.”
RAPHINHA:
Cunha.
SOFASCORE:
Matheus Cunha?
RAPHINHA:
Matheus Cunha.
Eu acho que ele… tipo… absurdo.
Eu também acho que ele não tem o valor que deveria ter.
Ele não é reconhecido da forma que deveria.
Porque para mim ele é um cara que defende bem, pressiona bem, ataca bem, está em movimento constante no campo, te dá opção no pé, te dá opção em profundidade.
Ele tem gols, tem assistências, é brigador.
E muitas vezes, por não ter números — números sendo gols, assistências.
Mas como eu falei, ele tem a pré-assistência, ele tem, de repente, uma pressão que faz o adversário perder a bola que vira gol.
Para mim, essas são coisas muito importantes que não aparecem como gol ou assistência — mas são tão importantes quanto.
Então eu acho que eu colocaria ele também nessa categoria de “jogador completo.”
Acaba que ele também poderia entrar na outra categoria — a de subestimado.

Ídolos de Infância
SOFASCORE:
Bom. E quem foi o seu ídolo de infância?
RAPHINHA:
De infância — Ronaldinho.
É complicado, né?
Porque você fala de infância, mas eu comecei a acompanhar o Ney quando eu tinha 15 anos.
Mas ele também era… meu Deus… ele tinha 18 anos, né? 19, não sei.
17, quando começou.
SOFASCORE:
Infância Ronaldinho, e adolescência?
RAPHINHA:
Muita infância Ronaldinho, pré-adolescência.
Eu comecei a acompanhar bastante o Neymar — ele estava no final da carreira do Ronaldinho, e no começo do Ney.
Mas os caras que eu…
Cara, eu tinha um tablet com vários vídeos baixados — lances do Ronaldinho, gols, assistências — e, consequentemente, do Ney também.
SOFASCORE:
E você memorizava para tentar replicar?
RAPHINHA:
Antes dos jogos, eu ficava—
Não, não para replicar, mas eu ficava assistindo.
SOFASCORE:
Como inspiração, né?
RAPHINHA:
Meu Deus, gente.
Porque às vezes te dá um insight no momento do jogo — você fala: poxa, aquele movimento, aquele corte ali… não sei, né? Não sei.
São os dois caras que foram e são minha referência até hoje.
SOFASCORE:
Bom.
Esta entrevista é apenas o começo. Na próxima parte, Raphinha aprofunda ainda mais sua trajetória no futebol, com novas histórias e novos insights. Fique ligado na Parte 2, em breve.
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